Dia Lavanda

Dia Lavanda

Entender melhor a epilepsia

A epilepsia é um transtorno pouco conhecido que, no entanto, atinge cerca de 1 em cada 100 canadenses.⁠ Uma das formas de apoiar as pessoas afetadas é, simplesmente, adquirir mais conhecimento sobre o assunto para ajudar a derrubar os preconceitos. ⁠

O dia 26 de março é reconhecido por mais de 80 países em todo o mundo como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, hoje conhecido como Dia Lavanda. O Dia Lavanda foi lançado em 2008 graças à iniciativa da canadense Cassidy Megan. Diagnosticada com epilepsia aos 7 anos, essa jovem da Nova Escócia destacou-se desde então ao se associar a diversas organizações para que sua ideia do Dia Lavanda se tornasse um movimento mundial. Mais de 80 países participam agora do movimento por meio de centenas de eventos realizados a cada ano.

De fato, essa flor é tradicionalmente associada à solidão e ao isolamento; sentimentos que a canadense Cassidy Megan, criadora deste dia, experimentou quando foi diagnosticada com epilepsia, aos 7 anos.

A iniciativa convida, portanto, aqueles e aquelas que são afetados a se reunirem e a manterem conversas significativas sobre essa condição. Da mesma forma, ela permite que todos nós apoiemos quem sofre de epilepsia e demonstremos nosso apoio nos unindo em torno de uma cor: o roxo.

A epilepsia é um transtorno neurológico que perturba a atividade elétrica do cérebro e provoca convulsões recorrentes. Essa disfunção cerebral se manifesta quando a consciência, os movimentos ou as ações de uma pessoa podem ser alterados de forma incontrolável durante um curto período de tempo. A duração e o tipo de convulsão variam de acordo com a região do cérebro afetada e sua extensão.

Existe uma grande variedade de tipos de convulsões epilépticas. Elas são, contudo, agrupadas em 2 grandes categorias.

Estendem-se pelos dois hemisférios do cérebro

Estão frequentemente associadas a uma perda de consciência

Entre os tipos mais frequentes, encontram-se

as ausências: Breve período de não receptividade (olhar perdido) que muitas vezes passa despercebido ou é percebido como estar no mundo da lua,

as crises tônico-clônicas: Sua fase tônica provoca perda de consciência, contração muscular e dificuldade para respirar. Sua fase clônica provoca convulsões que podem causar mordedura da língua, excesso de salivação e perda de urina e fezes.

as crises atônicas: Perda brusca do tônus muscular causando uma queda e possível perda de consciência.

as crises mioclônicas: Espasmos e contrações musculares súbitas que podem causar uma queda, mas geralmente não envolvem perda de consciência.

Também chamadas de “crises focais”

Iniciam-se em uma parte específica do cérebro, portanto o desenrolar da crise dependerá de sua localização.

simples: Sem perda de consciência. Sensações incomuns (ex.: distúrbios da visão, formigamentos, sensação de déjà-vu, etc.). Podem ser precursoras de uma crise mais grave.

ou complexas: Afetam o estado de consciência. Sintomas frequentes: olhar vazio e gestos automáticos repetidos (ex.: puxar as próprias roupas). Incapacidade ou dificuldade de falar.

Os sintomas durante as crises epilépticas podem variar muito de uma pessoa para outra, às vezes até de uma crise para outra. Entre esses sintomas, encontram-se:

perda de consciência;

Contrações musculares;

funções cognitivas;

*O protocolo de intervenção a seguir é uma excelente ferramenta para saber o que fazer em caso de crise convulsiva: https://frsqc.com/ressources-gratuites

As pessoas que sofrem de epilepsia também têm mais chances de apresentar problemas físicos secundários: fraturas, hematomas e ferimentos múltiplos.

Ter epilepsia não é apenas ter convulsões. Infelizmente, essa condição pode acarretar outros problemas, como transtornos psicossociais, tais como ansiedade, estresse e depressão.⁠

A epilepsia também pode levar a transtornos comportamentais, sobretudo em crianças. Esses transtornos podem se desenvolver devido a:

O medo, o estresse ou o constrangimento ligados ao fato de ter epilepsia;⁠

A frustração ligada às dificuldades de aprendizagem e de linguagem;⁠

⁠Uma anomalia em uma das regiões do cérebro que controlam e ajudam a controlar as emoções e o comportamento;⁠

⁠Uma atividade anormal das ondas cerebrais (epiléptica) que perturba o funcionamento normal do cérebro;⁠

Uma terapia com medicamentos antiepilépticos que modifica o equilíbrio das substâncias químicas (neurotransmissores) no interior do cérebro, responsáveis por regular o comportamento.⁠

As chances de crianças epilépticas apresentarem problemas comportamentais variam muito de uma criança para outra, conforme o tipo de epilepsia e sua localização no cérebro, a frequência e a intensidade das crises, o tipo de medicação e a reação de seu entorno diante das crises. (The Hospital for Sick Children, 2010)

A epilepsia atinge 1 em cada 100 canadenses

Metade das causas da epilepsia ainda é desconhecida

Mais de 50 milhões de pessoas no mundo receberam um diagnóstico de epilepsia — o que a torna o transtorno neurológico grave mais comum em todo o mundo

Estima-se que 70% das pessoas que vivem com epilepsia poderiam viver sem sintomas se os recursos permitissem melhores diagnósticos e tratamentos

Segundo a neuropsicóloga Sarah Lippé, Ph. D., julgamentos sociais ainda são propagados contra as pessoas com epilepsia. Devido a esses preconceitos, as pessoas atingidas pela epilepsia têm riscos aumentados de enfrentar as seguintes problemáticas:

sofrimento psicológico;

dificuldades escolares e profissionais;

perda de emprego, desemprego e pobreza.

Fonte: Aliança Canadense da Epilepsia

A crença popular de que é perigoso engolir a própria língua durante uma crise epiléptica é um mito!

Pois é! Na verdade, é fisicamente impossível engolir a própria língua, embora uma mordedura seja possível. No entanto, mesmo assim, nunca se deve colocar nenhum objeto, como uma colher, na boca da vítima para prevenir esse tipo de ferimento. Ela poderia, ao contrário, quebrar os dentes, ferir as gengivas e as bochechas, fraturar a mandíbula ou se engasgar com o objeto.

Aproveitemos o Dia Lavanda para derrubar esses preconceitos!

Acesse o link a seguir para saber mais sobre a epilepsia e para saber como celebrar o Dia Lavanda: https://www.canadianepilepsyalliance.org/5619/

Aliança Canadense da Epilepsia. S.d. « À propos de l’épilepsie ». URL: https://www.canadianepilepsyalliance.org/a-propos-de-lepilepsie/?lang=fr [Última consulta em 16 de março de 2022]

CHU Sainte-Justine. 2017. « Parlons d’épilepsie ». URL: https://www.chusj.org/fr/soins-services/E/Epilepsie/Parlons-d-epilepsie [Última consulta em 16 de março de 2022]

Épilepsie Section Québec. S.d. « Qu’est-ce que l’épilepsie? ». URL: https://www.epilepsiequebec.com [Última consulta em 16 de março de 2022]

Gilmour, H., Ramage-Morin, P. e Wong L., S. 2016. « L’épilepsie au Canada : prévalence et conséquences ». Statistique Canada. URL: https://www150.statcan.gc.ca/n1/pub/82-003-x/2016009/article/14654-fra.htm [Última consulta em 16 de março de 2022]

Lippé, Sarah. S.d. « Épilepsie ». Association québécoise des neuropsychologues. URL: https://aqnp.ca/documentation/neurologique/lepilepsie [Última consulta em 16 de março de 2022]

Organização Mundial da Saúde. 2022. « Principaux repères : Épilepsie ». URL: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/epilepsy [Última consulta em 16 de março de 2022]

Equipe do SickKids. 2010. « L’épilepsie et le comportement ». About Kids Health. URL: https://www.aboutkidshealth.ca/fr/Article?contentid=2113&language=French [Última consulta em 16 de março de 2022]

Purple Day. S.d. « Purple Beginnings ». URL: https://www.purpleday.org [Última consulta em 16 de março de 2022]

Última atualização: April 2026